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O que as plantas fazem enquanto esperam? E a água parada na poça? Coração dorme?

Perguntas frequentes sobre este livro

Quem escreveu "Coração não tem noite"?
"Coração não tem noite" foi escrito por Gabriela Romeu e Penélope Martins.
Para qual faixa etária é indicado "Coração não tem noite"?
Este livro é indicado para a faixa etária: 8-10 anos.
Quantas páginas tem "Coração não tem noite"?
"Coração não tem noite" tem 48 páginas.
Qual o ISBN de "Coração não tem noite"?
O ISBN de "Coração não tem noite" é 9786561422512.
Qual editora publicou "Coração não tem noite"?
"Coração não tem noite" foi publicado pela Elo Editora.
Quais temas "Coração não tem noite" aborda?
"Coração não tem noite" aborda os temas: imaginação, curiosidade infantil, sentimentos, emoções, reflexão, descobertas, sensibilidade, percepção do mundo.
Que competências "Coração não tem noite" trabalha?
"Coração não tem noite" trabalha as seguintes competências: Linguagens, Ciências Humanas.
Como "Coração não tem noite" pode ser usado em sala de aula?
A espera é mais silenciosa no cair da noite. Enquanto observava o peixe nadando em círculos dentro do aquário, a menina começou a pensar sobre o tempo. Então perguntou se os relógios também esperavam. O peixe respondeu que apenas os relógios quebrados sabem esperar. A resposta deixou a menina pensativa. Talvez quebrar também fosse uma maneira de esperar. Talvez a espera fosse como um relógio parado dentro da gente. Ela achava estranho como a espera podia demorar tanto. Às vezes parecia não ter fim, como se morasse entre o antes e o depois. A menina lembrou da hora do recreio. O recreio também é uma espera, mas nele tudo acontece ao mesmo tempo. Enquanto pensava nisso, percebeu que não são apenas as pessoas que esperam. Os bichos, os objetos e até a natureza também vivem esperando alguma coisa. O peixe continuava dando voltas no aquário enquanto explicava que a pedra não tem pressa de chegar ao topo da montanha. O mar espera o vento chegar. A sombra espera o próximo passo. A capa de chuva espera o temporal. Observando o gato girar na cadeira antes de se acomodar, a menina lembrou de outras coisas que vivem rodando sem parar: a Terra ao redor do Sol, a Lua em volta da Terra, a roda da bicicleta no quintal, a mariposa perto da luz e o próprio peixe no aquário. A menina percebeu então que perguntar também é um jeito de esperar. Por isso, começou a imaginar várias perguntas. Quando o ovo sabe que a espera acabou? Os minutos aguardam as horas chegarem? Janeiro sente saudades de fevereiro? Os pássaros esperam o vento para voar? O peixe ouviu cada pergunta como quem coleciona pensamentos. Depois disso, a menina quis saber o que as plantas fazem enquanto esperam crescer. Pensou também na água parada das poças e até nas gavetas esquecidas da casa. O peixe respondeu que talvez as gavetas esperem guardar segredos, até mesmo aqueles sentimentos que a gente não conseguem dizer. Então ela perguntou sobre o coração. Queria saber se o coração também esperava. O peixe explicou que o coração tem seu próprio tempo e que nunca dorme de verdade. A menina achou curioso imaginar um coração sem noite. Talvez, quando tudo fica escuro, o coração continue acordado fazendo perguntas baixinho. Ela sempre imaginou que o coração soubesse de tudo. O peixe respondeu que o coração conhece os caminhos das coisas, como um mapa conhece as estradas. Ele acredita que o amanhã sempre pode trazer algo melhor. Mas a menina quis saber o que acontece quando o amanhã finalmente chega. O peixe explicou que, quando o amanhã vira hoje, ele deixa de ser espera. A menina ficou em silêncio por alguns instantes. Achava curioso como a palavra “espera” era tão pequena e, ao mesmo tempo, tão grande dentro da gente. Então o peixe falou sobre uma palavra ainda maior: esperança. A menina contou as letras nos dedos e percebeu que esperança parecia realmente maior em tudo. Curiosa, perguntou ao peixe o que ele esperava enquanto continuava nadando em círculos naquele aquário. O peixe respondeu que esperava o momento certo para dar um grande salto e viver uma aventura fora dali. Depois, perguntou à menina o que ela esperava. Ela respondeu que, às vezes, esperava a chuva passar para brincar no quintal. O peixe então sugeriu outra ideia: talvez fosse mais divertido esperar a chuva chegar para brincar nas poças d’água. A menina sorriu e disse que sentia que choveria no dia seguinte. Quando o peixe perguntou como ela sabia disso, ela respondeu que sentia no coração. O peixe então explicou que isso era conhecer a véspera. A menina quis entender o significado daquela palavra. O peixe respondeu que a véspera é uma palavra que guarda a espera. E, naquele instante, a menina ficou pensando se a espera realmente acaba quando o dia chega ou se apenas muda de nome. A história acompanha o diálogo poético e filosófico entre uma menina e um peixe de aquário sobre a natureza do tempo, do questionamento e, centralmente, do "esperar". A narrativa se desenvolve a partir de indagações infantis que humanizam objetos e elementos da natureza (como relógios, pedras, gavetas e o próprio coração), transformando conceitos abstratos em metáforas visuais e táteis perfeitamente compreensíveis para as crianças. A obra apresenta um enredo de caráter reflexivo e poético, mesclando elementos do cotidiano infantil (a chuva, as brincadeiras no quintal, o recreio) com traços de literatura existencial e lírica. Essa combinação a torna altamente atrativa para o público dos anos iniciais, estimulando a sensibilidade estética e a curiosidade filosófica. O texto favorece o desenvolvimento da leitura fluida, da interpretação textual de linguagem figurada e da construção de sentido a partir de metáforas e analogias. Além disso, aborda temas essenciais como: · A passagem do tempo e a paciência; · Sentimentos e inteligência emocional (lidar com a ansiedade da espera); · A esperança e a imaginação como motores para o futuro; · A relação de convivência e o diálogo. A estrutura em forma de conversa (diálogo) contribui para o estímulo da oralidade, permitindo discussões ricas sobre o ato de perguntar como forma de aprender e explorar o mundo. A linguagem altamente acessível, embora profunda e dotada de lirismo, torna o texto ideal para práticas de letramento literário, incentivando a contação de histórias, saraus de poesia e produções textuais focadas na subjetividade e na expressão de sentimentos.
Coração não tem noite — Gabriela Romeu, Penélope Martins | Elo Editora · Elo Editora